Astros nas Telas: Como a Astrologia Invadiu Filmes, Séries e a Vida das Celebridades
Nas telas brasileiras: da rádio ao streaming
O cinema e a TV brasileiros também têm seu capítulo nessa história. Em O Signo da Cidade (2007), dirigido por Carlos Alberto Riccelli, a trama gira em torno de um programa de rádio noturno apresentado pela astróloga Teca, papel de Bruna Lombardi, que se torna ponto de encontro simbólico para personagens em busca de respostas sobre suas próprias vidas. Já As Doze Estrelas (2011) parte de uma premissa bem-humorada: um astrólogo é contratado por uma emissora de TV para entrevistar doze atrizes, cada uma representando um signo do zodíaco, numa fábula sobre arquétipos e comportamento humano.
Mais recentemente, Tá Escrito (2023) trouxe Larissa Manoela no papel de Alice, uma jovem que se transforma em influenciadora digital especializada em dar dicas de astrologia. O filme usa o tema não apenas como pano de fundo místico, mas como ponte para discutir questões bem atuais: a influência das redes sociais na vida pessoal, os riscos da exposição excessiva online e a cultura do cancelamento. É um exemplo de como a astrologia, hoje, funciona também como personagem-tema de discussões sobre identidade digital.
Leituras simbólicas: quando astrólogos interpretam a ficção
Vale um parênteses importante para separar duas coisas que às vezes se confundem. Existem produções em que a astrologia é tema central da trama — como os exemplos acima — e existem casos em que astrólogos e colunistas fazem, depois do lançamento, uma leitura simbólica de séries que não tratam do assunto diretamente. A astróloga Vanessa Tuleski, por exemplo, associou o sucesso da série Lupin, fenômeno da Netflix no início de 2021, a uma combinação de “vingança escorpiana e ardil geminiano” no comportamento do protagonista — uma interpretação de arquétipo, não uma afirmação de que o roteiro foi escrito sob influência astral. Da mesma forma, ela relaciona o impacto da minissérie Adolescência a um trânsito coletivo de longa duração, previsto para se estender a partir de 2025 e 2026. São leituras poéticas e simbólicas, um exercício de encontrar ressonância entre o céu e o zeitgeist — não um dado factual sobre a produção da obra.
Listas especializadas em cinema também reúnem títulos com astrologia como tema declarado, entre eles O Tarô da Morte (2024), Saturno em Oposição (2007), O Homem que Viu o Amanhã (1981) e Mapa das Estrelas (2023) — um panorama que mostra como o zodíaco atravessa gêneros diferentes, do drama ao suspense, e diferentes cinematografias ao redor do mundo.
O mapa astral como curiosidade de celebridade
Outra frente muito popular da astrologia na cultura pop é a análise do mapa astral de famosos — um tipo de conteúdo que combina curiosidade, entretenimento e um toque de identificação pessoal. Reportagens brasileiras já dissecaram, por exemplo, o mapa de Anitta (Sol em Áries, Ascendente em Capricórnio, Lua em Câncer), de Ayrton Senna (Sol em Áries, Lua em Capricórnio) e de Fernanda Torres (Sol em Virgem, Ascendente em Escorpião), sempre relacionando as posições planetárias a traços de personalidade e trajetória pública.
O mesmo tipo de leitura aparece com celebridades internacionais: Beyoncé é frequentemente descrita com Sol em Virgem — associado ao perfeccionismo que marca sua carreira —, Ascendente em Áries, ligado à imagem de força que projeta, e Lua em Escorpião, relacionada à intensidade emocional presente em seu trabalho. Já Justin Bieber teria Sol em Peixes, ligado à sensibilidade e criatividade, e Lua em Libra, associada à busca constante por harmonia. É importante lembrar, como fazem os próprios astrólogos consultados pela imprensa, que esse tipo de análise não pretende ser um retrato científico de personalidade: trata-se de um exercício simbólico, que usa arquétipos e correlações tradicionais entre signos e comportamento para contar uma história possível sobre alguém — não uma verdade fechada.
Por que o zodíaco virou linguagem comum
Há algo revelador na estética que acompanha essa onda: o Pinterest registrou, no verão de 2025, um aumento de mais de 2.000% nas buscas por “maquiagem de Virgem”, puxando a tendência mais amplo de “astrology makeup”. Isso mostra que o zodíaco deixou de ser apenas assunto de horóscopo de revista e passou a inspirar estética, humor, identidade visual e até formato de programa de TV. Filmes, séries e celebridades não criaram esse interesse — eles refletem, cada um à sua maneira, uma busca mais ampla por significado que atravessa gerações inteiras. Seja no roteiro de uma comédia romântica, na legenda de um post ou na resposta de uma cantora sobre seu Ascendente, o céu continua sendo, como sempre foi, um espelho onde as pessoas projetam suas próprias perguntas.
Recomendado
Astro Reflexo
Descubra o que os astros revelam sobre quem você é. Em menos de um minuto, calculamos seu Sol, Lua e Ascendente com precisão astronômica e uma inteligência artificial escreve um resumo personalizado só para você.