Astros nas Telas: Como a Astrologia Invadiu Filmes, Séries e a Vida das Celebridades
Em 2020, o aplicativo de astrologia Co-Star tinha cerca de 7,5 milhões de usuários. Três anos depois, esse número já passava de 30 milhões. No mesmo período, o mercado global de produtos ligados à astrologia saiu de 12,8 bilhões de dólares em 2021 para uma projeção de 22,8 bilhões até 2031. O céu virou conteúdo de escala global, presente em feeds, streamings e conversas de celebridades. Este texto reúne os filmes, séries e nomes famosos que levaram a astrologia para dentro da cultura pop contemporânea.
Uma geração que troca a fé tradicional pelo mapa astral
Esses números têm um contexto por trás. Vivemos uma época de hiperconexão e solidão ao mesmo tempo: muitos jovens dizem se sentir distantes da fé, da tradição familiar e até das relações mais próximas. A religião organizada oferecia historicamente pertencimento e sentido de propósito, e parte desse vazio vem sendo preenchida por outras linguagens simbólicas, entre elas a astrologia. Especialistas em tendências descrevem o uso de aplicativos como Co-Star, The Pattern e Sanctuary quase como ferramenta terapêutica: um jeito de organizar emoções, tomar decisões e criar rotina de autoconhecimento, tudo mediado por notificações diárias sobre trânsitos e fases da Lua.
Uma pesquisa da EduBirdie, de 2024, mostrou que 63% da Geração Z acredita que a astrologia impactou positivamente sua carreira, e 15% chega a atribuir a ela a conquista do emprego dos sonhos. No TikTok, a tag astrology já passava de 4,5 milhões de vídeos em janeiro de 2025. Esse pano de fundo, de busca por sentido, comunidade e autoconhecimento, explica por que filmes, séries e famosos abraçaram o tema com tanta naturalidade.
Quando o reality show é o próprio mapa astral
Um dos exemplos mais diretos dessa fusão entre entretenimento e astrologia é Cosmic Love, lançado pela Amazon Prime Video em 2022. O programa reúne participantes representando os quatro elementos (fogo, terra, ar e água) e os pareia de acordo com critérios de compatibilidade astrológica. As análises ficaram a cargo das astrólogas gêmeas Ophira e Tali Edut, conhecidas como AstroTwins, que já assinaram trabalhos para nomes como Beyoncé, Alicia Keys, Emma Roberts, Karlie Kloss e Sting. Em entrevista à Variety, o produtor executivo do programa disse que a geração jovem não apenas consulta o próprio signo com frequência, como toma decisões de vida importantes com base em orientações astrológicas, muitas vezes com um peso quase científico.
A crítica cultural também notou o fenômeno fora da tela. O site Daily Beast já apontou como os perfis de aplicativos de namoro se enchem de referências ao chamado "Big 3" (Sol, Lua e Ascendente) como forma de apresentação pessoal. O tema aparece até em conteúdo espontâneo de internet: no programa em vídeo Chicken Shop Date, durante um encontro com a atriz e cantora Addison Rae, a apresentadora Amelia Dimoldenberg perguntou, de forma casual, "Shall we check our Co-Star?", e as duas passaram parte da conversa comparando signos no aplicativo, sem qualquer patrocínio explícito. Isso mostra que a astrologia já é vocabulário comum entre criadores de conteúdo, não apenas pauta de aplicativo de nicho.
Nas telas brasileiras: da rádio ao streaming
O cinema e a TV brasileiros também têm seu capítulo nessa história. Em O Signo da Cidade (2007), dirigido por Carlos Alberto Riccelli, a trama gira em torno de um programa de rádio noturno apresentado pela astróloga Teca, papel de Bruna Lombardi, que se torna ponto de encontro simbólico para personagens em busca de respostas sobre suas próprias vidas. Já As Doze Estrelas (2011) parte de uma premissa bem-humorada: um astrólogo é contratado por uma emissora de TV para entrevistar doze atrizes, cada uma representando um signo do zodíaco, numa fábula sobre arquétipos e comportamento humano.
Mais recentemente, Tá Escrito (2023) trouxe Larissa Manoela no papel de Alice, uma jovem que se transforma em influenciadora digital especializada em dar dicas de astrologia. O filme usa o tema não apenas como pano de fundo místico, mas como ponte para discutir questões bem atuais: a influência das redes sociais na vida pessoal, os riscos da exposição excessiva online e a cultura do cancelamento. É um exemplo de como a astrologia, hoje, também serve de mote para discussões sobre identidade digital.
Leituras simbólicas: quando astrólogos interpretam a ficção
É importante separar duas coisas que às vezes se confundem. Há produções em que a astrologia é tema central da trama, como nos exemplos acima, e há casos em que astrólogos e colunistas fazem, depois do lançamento, uma leitura simbólica de séries que não tratam do assunto diretamente. A astróloga Vanessa Tuleski, por exemplo, associou o sucesso de Lupin, fenômeno da Netflix no início de 2021, a uma combinação de "vingança escorpiana e ardil geminiano" no comportamento do protagonista: uma interpretação de arquétipo, não uma afirmação de que o roteiro foi escrito sob influência astral. Da mesma forma, ela relaciona o impacto da minissérie Adolescência a um trânsito coletivo de longa duração, previsto entre 2025 e 2026. São leituras poéticas e simbólicas, um exercício de encontrar ressonância entre o céu e o momento cultural, não um dado factual sobre a produção da obra.
Listas especializadas em cinema também reúnem títulos com astrologia como tema declarado, entre eles O Tarô da Morte (2024), Saturno em Oposição (2007), O Homem que Viu o Amanhã (1981) e Mapa das Estrelas (2023). É um panorama que mostra como o zodíaco atravessa gêneros diferentes, do drama ao suspense, em cinematografias distintas ao redor do mundo.
O mapa astral como curiosidade de celebridade
Outra frente popular da astrologia na cultura pop é a análise do mapa astral de famosos, um tipo de conteúdo que combina curiosidade, entretenimento e um toque de identificação pessoal. Reportagens brasileiras já analisaram, por exemplo, o mapa de Anitta (Sol em Áries, Ascendente em Capricórnio, Lua em Câncer), de Ayrton Senna (Sol em Áries, Lua em Capricórnio) e de Fernanda Torres (Sol em Virgem, Ascendente em Escorpião), sempre relacionando as posições planetárias a traços de personalidade e trajetória pública.
O mesmo tipo de leitura aparece com celebridades internacionais: Beyoncé é descrita com frequência com Sol em Virgem (associado ao perfeccionismo que marca sua carreira), Ascendente em Áries (ligado à imagem de força que projeta) e Lua em Escorpião (relacionada à intensidade emocional presente em seu trabalho). Justin Bieber teria Sol em Peixes, ligado à sensibilidade e criatividade, e Lua em Libra, associada à busca constante por harmonia. Os próprios astrólogos consultados pela imprensa costumam lembrar que esse tipo de análise não pretende ser um retrato científico de personalidade: é um exercício simbólico, que usa arquétipos e correlações tradicionais entre signos e comportamento para contar uma história possível sobre alguém, não uma verdade fechada.
Por que o zodíaco virou linguagem comum
A estética que acompanha essa onda também chama atenção: o Pinterest registrou, no verão de 2025, um aumento de mais de 2.000% nas buscas por "maquiagem de Virgem", parte da tendência mais ampla de "astrology makeup". Isso mostra que o zodíaco deixou de ser apenas assunto de horóscopo de revista e passou a inspirar estética, humor, identidade visual e até formato de programa de TV. Filmes, séries e celebridades não criaram esse interesse: eles refletem, cada um à sua maneira, uma busca mais ampla por significado que atravessa gerações inteiras. No roteiro de uma comédia romântica, na legenda de um post ou na resposta de uma cantora sobre seu Ascendente, o céu segue sendo um espelho para as perguntas de cada época.
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Redação Universo Astral · Signos e curiosidades
Este texto foi produzido pela equipe editorial do Universo Astral, com apoio de ferramentas de inteligência artificial na pesquisa e na redação e revisão humana antes da publicação. Se encontrar algo incorreto ou desatualizado, avise pelo e-mail de contato.