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Tarot

Introdução ao Tarot: Os Arcanos Maiores e o Primeiro Passo Para Estudar as Cartas

18/07/2026 · 7 min de leitura · Página 1 de 2
Introdução ao Tarot: Os Arcanos Maiores e o Primeiro Passo Para Estudar as Cartas

O tarot como um espelho, não como uma sentença

Há quem chegue ao tarot por curiosidade, quem chegue por dor e quem chegue simplesmente porque uma carta caiu na sua frente em um momento certo demais para ser coincidência. Seja qual for a porta de entrada, vale um convite inicial: encare o tarot como um espelho simbólico, não como um oráculo que decreta destinos fechados. As cartas não escrevem o seu futuro em pedra — elas iluminam caminhos possíveis, tendências e vozes internas que muitas vezes preferimos não escutar. É esse o espírito com que vamos abrir esta conversa sobre os Arcanos Maiores, o coração simbólico do baralho.

78 cartas, duas naturezas diferentes

Um baralho de tarot tradicional é formado por 78 cartas, divididas em duas grandes famílias que conversam entre si, mas falam de coisas distintas. Os Arcanos Menores, compostos por 56 cartas organizadas em quatro naipes, tratam do cotidiano: aquele desentendimento com um amigo, a ansiedade antes de uma entrevista, a alegria de uma conquista pequena mas significativa. Já os Arcanos Maiores são as 22 cartas que carregam os grandes temas da existência humana — transformação, propósito, amor, perda, morte simbólica, recomeço. Quando uma dessas cartas aparece em uma tiragem, costuma-se dizer que o momento vivido tem peso arquetípico, que ele ultrapassa o detalhe do dia a dia e toca algo mais amplo na trajetória de vida de quem consulta.

A própria palavra arcano vem do latim e significa “segredo” ou “mistério” — um nome e tanto para cartas que, ao longo dos séculos, têm sido lidas como fragmentos de uma sabedoria mais antiga que qualquer um de nós.

A Jornada do Louco: uma história contada em 22 cenas

Das 22 cartas dos Arcanos Maiores, 21 trazem numeração e apenas uma não tem número algum: O Louco. Essa ausência não é acaso — O Louco representa o ponto de partida, aquele momento anterior a qualquer rótulo, quando ainda não sabemos em que vamos nos tornar. A partir dele, os números seguem de I a XXI, e essa progressão é tradicionalmente lida como uma narrativa contínua, batizada por muitos estudiosos de Jornada do Louco.

Pense nela como um enredo em capítulos: O Louco parte para o mundo com fé e espontaneidade; O Mago desperta seus talentos e ferramentas; A Sacerdotisa revela a intuição silenciosa; A Imperatriz e o Imperador ensinam sobre criação e estrutura; e assim a história avança, passando por provações como A Morte (não literal, mas simbólica — o fim necessário de um ciclo) e O Enforcado (a pausa que exige um novo olhar), até desembocar em cartas de resgate e luz, como A Estrela, e finalmente alcançar O Mundo, arcano de número XXI, que fecha o ciclo com sensação de plenitude e integração.

Uma curiosidade que ajuda a entender por que o tarot não é um sistema engessado: a posição de duas cartas, A Força e A Justiça, muda conforme a tradição do baralho. No Tarot de Marselha, Força ocupa o número XI e Justiça o VIII; já no famoso baralho Rider-Waite-Smith, essa ordem foi invertida para se alinhar às correspondências astrológicas elaboradas por estudiosos ocultistas do início do século XX, ligando cada arcano a um signo do zodíaco. Não existe erro aqui — existem apenas linguagens diferentes dentro da mesma tradição.

A jornada não é uma linha reta, mas uma espiral: revisitamos os mesmos temas em níveis diferentes de consciência, cada vez compreendendo um pouco mais.

Essa ideia de espiral é, talvez, o ensinamento mais generoso que os Arcanos Maiores oferecem: crescer não é seguir em frente sem olhar para trás, mas voltar aos mesmos aprendizados com outros olhos.

Uma breve — e nada dogmática — história do tarot

Vale desfazer um mito comum: o tarot não nasceu como instrumento místico. Antes do século XVII, as cartas circulavam nas cortes italianas do século XV como um jogo de entretenimento entre a nobreza, e suas figuras alegóricas tinham significados mais simples, ligados a virtudes e situações da vida cortesã.

A virada esotérica veio só no século XVIII, quando o clérigo e maçom suíço Antoine Court de Gébelin defendeu — sem provas históricas sólidas — que o tarot teria origem egípcia e significados cabalísticos ocultos. A partir daí, outros nomes deram novas camadas ao sistema: Etteilla criou métodos de adivinhação, Éliphas Lévi aprofundou as correspondências simbólicas, e já no século XX a Ordem Hermética da Aurora Dourada costurou o tarot à astrologia, dando origem ao popular baralho Rider-Waite-Smith. Mais tarde, no século XX, a psicóloga junguiana Sallie Nichols leu os Arcanos Maiores como um mapa do processo de individuação, aproximando o tarot da psicologia profunda.

Ou seja: o tarot que conhecemos hoje é um mosaico construído por camadas históricas diferentes — jogo de cartas, ocultismo francês, simbolismo astrológico, psicologia junguiana e, mais recentemente, uma linguagem pop reinventada em aplicativos e redes sociais. Não existe uma única “verdade original” — existe uma tradição viva, que continua sendo reinterpretada.

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